Apocalipse zumbi na Rússia?

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Sobre Apocalipse zumbi na Rússia?

Neste vídeo do canal AssombradO, o Mateus faz uma rápida análise sobre um “Apocalipse Zumbi” noticiado do site do tabloide sensacionalista conhecido como Revista Superinteressante.

A tal notícia informa que a região de Yamal-Nenets, na Síbéria (região da Rússia), estava enfrentando um surto de antraz, uma doença bacteriana causada pelo Bacillus anthracis, bactéria do solo e da vegetação. A doença, também conhecida como anthrax ou carbúnculo, é comum entre animais, como gado bovino, camelos, ovelhas, antílopes, cães e cabras, sendo adquirido por eles por meio de sua alimentação. O bacilo causador da infecção pode esporular e, consequentemente, resistir a altos níveis de calor ou frio, durante muito tempo, até ter condições ideais para seu desenvolvimento. O homem geralmente é infectado apenas quando exposto a animais contaminados, quando tem contato ou consome carne e derivados dos animais contaminados.

O detalhe que a revista não mencionou é que o antraz não é transmitido de pessoa para pessoa por contato casual, convivência no mesmo ambiente de trabalho ou por tosse ou espirros (embora se recomende evitar ao máximo a exposição aos fluidos corporais das pessoas infectadas), entretanto, a revista não se conteve a insinuar isso no título da “notícia”.

Também é omitido que que o antraz pode infectar as pessoas de três diferentes formas: pela penetração de esporos do antraz na pele com lesões (antraz cutâneo), pela inalação de esporos (antraz pulmonar) ou por ingestão de alimentos contaminados (antraz gastrintestinal).

Isso já é suficiente para descartar qualquer possibilidade do Bacillus anthracis causar “apocalipse zumbi”. Além disso, nenhum sintoma do antraz é de ordem neurológica, casos em seres humanos são extremamente raros, e existe medicação e vacina com eficácia de proteção de 93% (contra o antraz cutâneo e pulmonar).

Existem evidências apontando que seres humanos são relativamente resistentes ao antraz, sendo necessário uma determinada quantidade de esporos inalados ou ingeridos para que de fato ocorra uma contaminação, uma vez que nosso sistema imunológico consegue lidar com a bactéria até determinado ponto.

Portanto, trata-se de mais um título sensacionalista desta revista para enganar trouxa.

O que aconteceu, de fato?

Essa notícia sobre o surto de antraz na Península de Yamal começou a ser propagada em sites de notícias em idioma russo e em inglês, depois que agências de notícias internacionais começaram a repercutir essa história entre os dias 25 e 26 de julho.

Inicialmente, de acordo com a AP (Associated Press), as autoridades russas estavam evacuando os pastores nômades de renas e colocando uma região da Sibéria em quarentena, após o surto ter matado mais de 1.000 animais. O aparecimento da doença bacteriana na região de Yamal-Nenets seria o primeiro surto de antraz, com consequências fatais, registrado naquela região da Rússia, em 75 anos.

As autoridades russas compartilharam informações conflitantes, mas, todavia, o resultado das análises em laboratório indicaram que muitos animais tinham morrido em decorrência do antraz, o que disparou um alerta sem precedentes.

A criação de rendas na região é normal, explorando-se a sua carne, leite, pele (usada para fabricar tendas, botas e peças de vestuário) e chifres (para cabos de facas e colheres, sendo que dos animais mais jovens é extraído “gelatina”).

O governo local não quis contar com a sorte: “Tomamos todas as medidas necessárias para isolar o surto. Agora, o mais importante é a segurança e a saúde dos nossos cidadãos, – os pastores de renas e especialistas estão trabalhando em conjunto na zona de quarentena”, disse o governador Dmitry Kobylkin (Дмитрия Кобылкина), em comunicado oficial publicado no site do Governo da Região Autônoma de Yamal-Nenets.

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